sábado, dezembro 18

O regresso das Terras Perdidas.




Eu não sei bem o que lhes falar sobre estes tempos em Nárnia.

Algumas pessoas precipitaram-se, ocupando suas bocas com uma meia dúzia de palavras infundadas aprendidas neste mundo, mas elas não têm como saber: Elas não estiveram lá.

Aqui, as paredes são muito mais concretas e o céu é muito mais cinza. O Sol que banha as órbitas dos planetas já não é mais tão jovem, e a brisa que nos cerca não possui mais daquele aroma. Este mundo envelhece, e a nós é dado, como herança, a concretização das ruínas. Caímos aturdidos dos nossos próprios sonhos e, em um choque surdo de 100 mil volts, reconhecemos que sabemos tão pouco.

Deveria ser fácil escrever sobre fadas, espíritos e postes de luz em meio à floresta quando descoberto que nada é impossível, mas pôr os pés no chão e ver toda a relva substituída por pedras e cascalho novamente meio que faz com que estes prédios altos que nos cercam pareçam uma escória inóspita e privada de quaisquer tipos de magia.

Há ainda quem insista que a Magia encontra-se em qualquer lugar. Mas é que não conhecem a aura mágica e luminosa daquele estranho país, mal podem calcular a liberdade a qual eram tomadas todas as criaturas sobre aquela relva macia onde até mesmo o tempo parecia se arrastar com calmaria, em teu pacato espaço pessoal, enquanto eras transcendiam a nossa doce juventude.

Se eu pudesse, meu caro senhor, minha cara senhora,
Se eu pudesse, partiria.

Pois a ti, sei que a probabilidade da beleza, a qual venho por meio desta desmiudar, ser real é quase nula. Mas como posso eu, um pobre viajante, atestar-lhe a veracidade dos fatos que aqui são propostos? A verdade é que existe, em algum lugar distinto e puro em meio a este Universo (ou qualquer outro explorado pelos bosques entre os mundos – e quem sabe quantos deles poderão ser encontrado?) um lugar onde a Primavera é mais florida e as leis tão mais justas e os povos tão mais afeiçoados.